
Ouvi essa frase em algum lugar e tenho que concordar que à primeira vista ela parece ofensiva, como algo que vem para desmerecer os engenheiros, como se eles fossem mesmo pouco inteligentes. Mas para os bons entendedores essa frase pode revelar uma coisa bem mais interessante e importante do que isso.
É comum nas universidades certa segregação entre o pessoal da engenharia e os outros cursos, em particular os cursos das áreas de ciências humanas. Em muitos casos, não seria ousado dizer que há um preconceito mútuo. Os estudantes de engenharia e, de uma forma mais ampla, de ciências exatas são vistos como os “bitolados”, enquanto os estudantes de ciências humanas são vistos como os “intelectuais”. Ao primeiro grupo se associa a imagem de estudantes que têm talento para a matemática e abstração (supostamente acessíveis a poucas pessoas) e pouca expertise social. Ao segundo se associa a imagem de bom desempenho comunicacional e social, mas pouca habilidade com números.
Embora essa generalização talvez possa, em alguns lugares, ser bem empregada – mas ainda como generalização: e é até válida, porque não fala do todo, mas do que se identifica como sendo maioria – , de uma forma global e macroscópica há uma chance de estarmos sendo contraproducentes em naturalizar esses estereótipos.
Essa separação não começa na escolha do curso universitário. Na verdade, ela começa bem antes. Ela aparece quando, bem mais novas, as pessoas são treinadas a se descobrir boas em matemática, e, na outra face da moeda, ruins para a arte da escrita. Ou vice-versa: boas em escrever e ruins em matemática. Há uma espécie de dualismo na forma como classificamos as pessoas para fins escolares, e, na sequência, profissionais. Funciona como um divisor de águas. Mas a coisa não necessariamente tem que seguir esse modelo “dual”.
Há uma grande crítica na direção de vários sistemas educacionais mundo afora, que têm adotado uma política de suprir as dificuldades dos alunos nas matérias que são piores ao invés de potencializá-los nas matérias que são melhores (que são aquelas que muito possivelmente vão determinar a escolha profissional). Porém, essa preocupação só faz sentido depois que estiverem assegurados os conhecimentos necessários para o bom exercício da cidadania. É óbvio que, na prática profissional e mesmo no ambiente do ensino superior (graduação e pós-graduação), a especialização prevaleça.
Para os estudantes de exatas, é fácil entender que quem se gaba por não saber nada de matemática têm um sério problema. Não se trata de sugerir que essas pessoas, que não gostam da disciplina e preferem lidar com humanas, devem aprender matemática avançada. Já para a tomada de decisões cidadãs, como a escolha de um governante por meio do voto onde as propostas em questão envolvem política fiscal, só para dar um exemplo – o conhecimento de matemática básica torna-se imprescindível. O mesmo pode-se dizer em relação ao controle das finanças pessoais, à avaliação de riscos nos investimentos, dentre outras atividades.
A despeito disso, em alguns casos o preconceito pende mais para as exatas. É incrível como muitas vezes não saber nada de matemática pode parecer até “cool” enquanto ignorar questões de ciências humanas seja algo visto como alienante. Vou reproduzir aqui uma pequena experiência que li recentemente: suponhamos que seja lançado um filme que traga a informação de que a prisão de Bastilha foi construída em Pequim. Muito rapidamente, o filme seria rechaçado, e o diretor com toda a sua equipe severamente criticados. Apesar disso, em alguns filmes de super-heróis que não voam, como o Homem-aranha, é comum o herói se jogar de um prédio para salvar uma pessoa que está caindo e conseguir pegá-la no ar. Isso descumpre a lei da gravidade. Na mesma linha estão as ruidosas explosões espaciais, sem lembrar que o som não se propaga no vácuo. Por essa experiência, tendemos a achar o primeiro erro muito mais grave que o segundo (quando na verdade não é), e uma possível explicação para isso talvez seja uma desvalorização histórica do Quadrivium*. Aqui, recai sobre os interessados em exatas uma grande responsabilidade de modificar esse panorama.
Todavia, da mesma forma, não só os estudantes de humanas devem se preocupar com questões históricas, sociais e políticas básicas, mas todo cidadão indistintamente. Um voto consciente também inclui saber o que historicamente a mesma medida que um candidato propõe significou no passado. Só não se deve cobrar o mesmo padrão de entendimento, no nível da vida cotidiana. De certa forma, esse nível básico influencia até mesmo profissionalmente quem não lida diretamente com esses saberes.
No caso dos engenheiros, especialmente, as empresas têm tido problemas em alocar mão de obra para cargos especiais não por falta de oferta do mercado, mas por dificuldade na identificação de perfis onde a qualificação necessária tem sido representada pela versatilidade trazida pela cultura geral e pela capacidade de dialogar com diversos grupos utilizando diferentes ferramentas na aquisição de objetivos em posições de comando (gerenciais e supra-gerenciais).
Trata-se de uma chamada de atenção muito forte vinda da área de Recursos Humanos, o que, de alguma forma, vem repercutindo na prática pedagógica adotada pelas faculdades de engenharia. Como se pode observar, o currículo dos cursos de engenharia tem ficado cada vez mais abrangente e diversificado (com matérias da matemática, física, química, administração, economia, psicologia, sociologia, etc.), fazendo da engenharia o campo mais multidisciplinar de todos. Além da diversidade nas matérias obrigatórias, as universidades oferecem matérias optativas e a possibilidade de “puxar” outras em cursos diferentes, mas ainda assim no Brasil não é algo tão flexível como em algumas universidades americanas, por exemplo.
A despeito disso, o estudante de engenharia bem-sucedido deve procurar, por conta própria, enlaçar esses aprendizados e conectá-los com outros buscados dentro e fora de sua realidade, para então não só viabilizar sua cidadania, mas também garantir diferenciais competitivos e sobretudo potencializar seu approach diante das complexas questões que lhe serão impostas na profissão. Isso é fazer engenharia de alto nível.
Não tem que ser natural engenheiro escrever errado só porque lida com números a maior parte do curso. Não tem que ser normal engenheiro não saber a história por trás dos recursos tecnológicos que ele utiliza no dia a dia. Afinal, a partir do que foi exposto aqui, podemos agora dizer com mais segurança: Não é preciso ser burro para ser engenheiro!
*Quadrivium: do latim quatro e via: caminho, ou seja os “quatro caminhos”, era o nome dado ao conjunto de quatro matérias (aritmética, geometria, astronomia e música) ensinadas nas universidades medievais na fase inicial do percurso educativo, cujo ápice eram as disciplinas teológicas. A educação era iniciada com o trivium (gramática, lógica e retórica), as primeiras três das sete artes liberais, seguindo-se as restantes quatro, que formavam o quadrivium. O quadrivium foi desenvolvido por Martianus Capella, que tentara desta forma sistematizar todo o conhecimento humano, e organizado depois por Petrus Ramus.
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SUGESTÕES DE LEITURA:
Para Fillion, o empreendedor é alguém que imagina, desenvolve e realiza visões.
Entretanto, se pararmos para pensar, essa definição talvez tenha sido a mais difundida por ser muito abrangente, mais até do que a própria Administração. Afinal, o empreendedorismo cabe em qualquer lugar e circunstância. Ele não precisa visar necessariamente ao lucro – e os chamados negócios sociais, que a mídia tem destacado atualmente, provam isso. Ele nasce dentro de um processo criativo – uma torrente de impulsos elétricos do cérebro transformadas em ideias – e externaliza-se na prática social, colocando essas ideias à prova da realidade.
A criatividade é uma atividade livre que se manifesta de duas formas principais: o inventar e o aprimorar. E ela não é nada sem imaginação. É recorrente a frase de Einstein: “Imaginação é mais importante do que raciocínio. Com o raciocínio você vai de A para B, mas com imaginação, você vai a qualquer rincão do universo”.
O sentido de criatividade fortemente associado ao empreendedorismo remete à genialidade, como nas grandes invenções de cientistas notáveis, que revolucionaram a forma de enxergar o mundo. Ou engenheiros, que passaram a otimizar o trabalho humano nos mais variados ramos a partir da Revolução Industrial. A própria administração adquiriu corpo teórico a partir do trabalho de um engenheiro mecânico: Frederick Winslow Taylor, considerado o pai da Administração Científica.
Taylor: o engenheiro mecânico que criou a Administração Científica.
Todavia, o empreendedorismo existe em várias escalas, e não está subscrito a realizações grandiosas. Ele está implícito em pequenas ações conscientes que, bem orientadas, podem provocar grandes repercussões. No campo dos negócios, por exemplo, é comum as pessoas evitarem a prática empreendedora por acreditarem ser uma coisa difícil demais. Isso ocorre porque geralmente elas foram educadas a moderar seus sonhos. Ou então sonham alto sem a disposição necessária para viabilizar esses sonhos.
Por muito tempo os brasileiros preferiram a segurança do profissionalismo liberal ou do funcionalismo público em detrimento da criação de um negócio próprio. Isso ainda é muito verificável nos dias de hoje, muito embora a situação tenha começado a ficar um pouco diferente graças a iniciativas como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e outras instituições que surgiram para fomentar o empreendedorismo, fornecendo informações para ajudar as pessoas nessa tarefa que supunham difícil demais para elas.
Passou a ser comum ver o engenheiro aposentado que resolveu, com o dinheiro do FGTS, abrir um restaurante. Ou mesmo o executivo frustrado que largou o emprego para ter sua própria franquia. A principal vantagem disso é que as pessoas deixaram de ser acomodas com respeito à satisfação de suas necessidades e desejos, passando a acreditar que a mudança de planos, tão frequente na condução de uma empresa, não é tão assustadora quanto parecia, e porventura mais estimulante do que os empregos tradicionais.
Essa fase de quebra de paradigmas ocorreu, entre muitas outras coisas, mais cedo nos Estados Unidos. Lá o empreendedorismo universitário, que hoje tem chamado muita atenção, já havia começado, ligeiramente, mas com grandes expoentes, na década de 80. E um dos locais-chave dessa transformação foi o Vale do Silício, na Califórnia. O filme “Piratas do Vale do Silício” conta a história do início da era dos computadores pessoais, protagonizada por Bill Gates, Steve Wozniak e Steve Jobs, entre outros.
Jobs e Wozniak em 1976.
Há muitos livros sobre isso, mas um livro recente que gostaria de destacar é “A cabeça de Steve Jobs”, do editor-chefe da revista eletrônica Wired, Leander Kahney. Steve Jobs, o criador da Apple, é apresentado como um gênio excêntrico e criativo, extremamente preocupado com a qualidade e a estética. Não é a toa que os produtos da Apple alcançaram tamanho prestígio.
O equivalente moderno para isso, também no Vale, é a criação do Facebook, encabeçada por Mark Zuckerberg e seus amigos, entre os quais o brasileiro Eduardo Saverin. A história é contada no livro “Bilionários por acaso”, que deu origem ao filme “A rede social”. Mark é apresentado como alguém que passou do isolacionismo nerd para nada mais nada menos o criador da maior rede digital de interação social de todos os tempos – tornando o bilionário mais jovem dentre aqueles que partiram do zero. Em maio de 2012, o Facebook realizou seu IPO (abertura de capital), tornando-se a maior empresa de informática do mundo, à frente de empresas como Google e Microsoft.

Notadamente, ao longo desse processo as universidades passaram a reconhecer a importância do empreendedorismo para a formação profissional, afora as áreas em que, naturalmente, ele já era estudado (Administração, Economia, Contabilidade…). O Massachusetts Institute of Technology (MIT), por exemplo, criou o GEL – Gordon Engineering Leadership, um programa de liderança e inovação para estudantes de engenharia. Se a engenharia é a principal responsável pela inovação tecnológica do mundo de hoje, é imprescindível que o aprendizado sobre o empreender esteja vinculado à capacitação técnica.
Ironicamente, uma matéria da administração formal, que surgiu com o engenheiro Taylor, retorna, de certa forma, para a engenharia. Tudo isso leva a crer que o empreendedorismo é, na verdade, uma área transdisciplinar que coaliza diferentes saberes para a proposição de melhorias em produtos e processos, e retocar toda a caricatura que, continuamente, esboçamos do mundo.
Do MIT mesmo, há uma egressa brasileira, que está fazendo sucesso com seu livro, “A menina do vale”. Bel Pesce se diplomou em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação no instituto americano, e ainda completou os cursos de Administração, Economia e Matemática. Trabalhou na Google e na Microsoft e desenvolveu o Lemon, um aplicativo para controle financeiro. E só pra constar: hoje dirige sua própria empresa, também no Vale do Silício (!) onde também se encontram outros brasileiros.
Bel Pesce em uma palestra no TED, uma conferência global que reúne destaques das áreas de tecnologia, entretenimento e design.
Bel Pesce veio para elevar a autoestima dos estudantes brasileiros, que parecem começar a dar aqui, no Brasil, uma clara mostra de empreendedorismo universitário, em uma época favorável para o país, a sexta maior economia do mundo, que ainda possui muitos problemas mas é onde está sendo depositada grande parte da esperança do planeta. Bel Pesce também relembra outro grande empreendedor brasileiro – talvez o maior – que resolveu empreender quando ainda estava na faculdade. Mas como os piratas antigos, ele deixou a faculdade para se dedicar ao trabalho, e passou de estudante de engenharia metalúrgica e vendedor de seguros em Aachen, na Alemanha, para embrenhar pelos investimentos em mineração do ouro. Seu nome: Eike Batista, apontado como o homem mais rico do Brasil e um dos mais ricos do mundo.
Eike Batista, um dos homens mais ricos do mundo.
No livro “O X da Questão”, Eike até coloca o seu conceito empreendedor, a “Visão 360 graus” em termos de engenharias: Engenharia Financeira, Engenharia Jurídica, Engenharia Ambiental e Social, Engenharia de Saúde e Segurança, Engenharia Logística, Engenharia da Comunicação, Engenharia Política, Engenharia de Pessoas e Engenharia da Engenharia.
A Escola Politécnica da USP tem a fama de ser a maior universidade brasileira formadora de líderes e empreendedores. Apesar disso, a cidade de Campinas, onde está localizada a UNICAMP, já foi apontada como um futuro “Vale do Silício” (não por conta do material silício, mas sim pelo pólo tecnológico de destaque mundial que se firma cada vez mais). Em Minas Gerais, os principais tecnopólos estão na região do Triângulo Mineiro e nas mediações de Santa Rita do Sapucaí. Recentemente, a Universidade Federal de Viçosa (UFV) inaugurou uma incubadora de empresas com base tecnológica, a CENTEV. A Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ) também conta com iniciativas promissoras na interseção entre engenharia e administração nos campi avançados Santo Antônio (sede, em São João del-Rei) e Alto Paraopeba ( em Ouro Branco).
Estão no tocante o aparecimento das empresas juniores nas universidades, que visam dar uma experiência corporativa aos estudantes, preparando-os melhor para o mercado de trabalho.
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Ao que tudo indica, é a hora e a vez do Brasil revelar empreendedores precoces. O objetivo não é sugerir que os estudantes larguem a faculdade para tentar abrir uma empresa, como fizeram grandes pioneiros. Mas lembrar que o entendimento da concepção de negócios, e ideias em geral, é fundamental para uma boa qualificação profissional. E mais ainda: é um arcabouço para a projeção pessoal, em termos de sucesso e⁄ou prestígio, e para o desenvolvimento da sociedade como um todo.
O Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica da UFSJ (PPMEC) comunica a abertura de inscrições, no período de 25 a 29 de junho, para 11 vagas no curso de Mestrado, na área de concentração Materiais e Processos de Fabricação. As inscrições poderão ser feitas por meio de procuração ou pessoalmente na Secretaria do Programa, sala 3.03-MP do Campus Santo Antônio, de segunda a sexta, no horário de 14h às 17h. Serão aceitas inscrições postadas por Sedex com data até 29 de junho.
O processo de seleção constará de duas etapas. A primeira, de caráter eliminatório, será a prova escrita que acontecerá no dia 04 de julho a partir das 9h. A segunda etapa, de caráter classificatório, será a avaliação do curriculum vitae. Os candidatos aprovados serão classificados de acordo com sua nota final obtida pela média ponderada, de acordo com os pesos de cada etapa. A distribuição das bolsas entre alunos será baseada em sua aprovação geral e na manifestação de interesse do candidato no preenchimento do formulário de inscrição.
A taxa de inscrição é 100 reais. Para pedir isenção de taxa, o interessado deve apresentar o Número de Inscrição Social (NIS) e preencher requerimento disponível no site do Programa. O prazo para solicitar isenção é de 21 e 22 de junho.
As linhas de pesquisa do Programa são: Processos de Transformação Metal-Mecânica, Caracterização e Propriedade Mecânica dos Materiais e Simulação Numérica do Comportamento dos Materiais e dos Processos de Fabricação. Para saber mais sobre documentos necessários, inscrições por meio de procuração, requerimento de isenção e cronograma, consulte o site www.ufsj.edu.br/ppmec
Mais informações pelo telefone (32) 3379-2607.
Publicada em 06/06/2012
Fonte: ASCOM
Retirado de: http://www.ufsj.edu.br/noticias_ler.php?codigo_noticia=3262
Entre os dias 07 e 10 de junho, a Equipe de Robótica do Campus Alto Paraopeba (Equipe RoboCAP) participou do 8º Winter Challenge (WC), na Faculdade de Jaguariúna (FAJ), em Jaguariúna – SP, representando pela primeira vez a UFSJ em uma competição organizada pela RoboCore.
A RoboCore é uma organização que promove eventos de tecnologia que visam não apenas o espetáculo ao público, mas que também incentivem a criação de novas tecnologias além de despertar o interesse pelo conhecimento tanto nos participantes como nos espectadores. As competições de robótica têm como objetivo promover a pesquisa e difundir o conhecimento através da troca de experiências e informações entre seus participantes. Muitas tecnologias desenvolvidas para as competições acabam sendo aplicadas em diversos setores, como por exemplo, indústria médica, automobilista, petroquímica entre outras.
O evento organizado pela RoboCore acontece duas vezes ao ano, sendo que no inverno é denominado Winter (inverno em inglês) e no verão, Summer (verão em inglês). Em 2012, o WC contou com mais de 50 universidades e 192 robôs inscritos. Competições deste tipo vem crescendo e se tornando tão visíveis no Brasil, que atualmente se tem campeões mundiais nacionais, o que estimula ainda mais a prática dentro das Engenharias.
A RoboCAP, até então composta por 12 alunos de Engenharia Mecatrônica do 5º e 9º períodos e coordenada pelo professor Edgar C. Furtado, participou na categoria combate 13,6kg com o robô CAPote. Nesta categoria, foram 19 robôs inscritos de diversas universidades como UNIFEI, PUC-RJ, UFPR, PUCPR, POLICAMP e CEFET-MG, sendo que o CAPote conquistou o 11º lugar. É importante ressaltar a enorme ajuda fornecida pela Equipe Uairrior da UNIFEI que possibilitou não só a participação da RoboCAP mas incentivou ainda mais o desenvolvimento da robótica no CAP. A Equipe teve o apoio total da Reitoria, com projeto aprovado pela FAPEMIG, além do patrocínio dos parceiros Comercial Bertolin Campos e MGM Produtos Siderúrgicos Ltda.
Além da participação pioneira da RoboCAP, a Equipe UaiRobots Sumo, também da UFSJ que participou pela primeira vez e foi representada por três alunos de Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica, com três robôs: Falcão, Baraka e Honda. Eles competiram na categoria Sumô LEGO 1kg (auto) e conquistaram as seguintes posições 8º, 11º e 13º num universo de 30 robôs.
“O envolvimento da UFSJ em eventos deste porte é de grande valia não só à Universidade, mas para a formação dos alunos envolvidos” afirma o aluno do 9º período de Eng. Mecatrônica, Renato Almeida. “Participar da WC foi uma experiência importante em minha formação, primeiro no quesito trabalho em equipe, que é fundamental hoje nas grandes organizações, segundo pela experiência prática e pressão de ter que resolver um problema de forma eficaz em prazo determinado” completa. Já o estudante do 3º período de Eng. Mecatrônica, Augusto Godinho, afirma que com a atuação da RoboCAP, ele conseguirá entender melhor a aplicação de cada matéria. “Com futura ampliação do projeto mais pessoas poderão desenvolver essa nova e melhor visão do curso e assim melhorarem seu desempenho teórico e prático.” Por fim, o também aluno do 3º período de Eng. Mecatrônica, Luan Mendes, “essas competições existentes são para colocar à prova o seu conhecimento e trocar informações com outras equipes além de manter o contato com elas para quando precisar poder primeiramente recorrê-las.”
Outras informações podem ser obtidas no sites:
- RoboCore (http://www.robocore.net)
- WC 2012: (http://www.robocore.net/modules.php?name=GR_Eventos&evento=12&tab=)
- Equipe RoboCAP (www.equiperobocap.blogspot.com.br)
- Equipe Uairrior (www.uairrior.com.br).
Publicada em 15/06/2012
Fonte: ASCOM
Retirado de: http://www.ufsj.edu.br/noticias_ler.php?codigo_noticia=3279
O MERCADO SUCROALCOOLEIRO, que é o berço de uma das mais revolucionárias soluções energéticas em vista – o etanol – é um grande captador de engenheiros:
- mecânicos e eletricistas, principalmente para quem estiver pensando em se especializar em energia;
- químicos e de produção, por possuírem conhecimento em processamento industrial;
- agrônomos e agrícolas, por ser naturalmente uma área de atuação chave deles;
- outros.
Esse vídeo é do projeto “Etanol sem Fronteiras”, da PETROBRAS, e mostra a usina de álcool em que eu trabalhei como analista de custos em Motomecanização, a TOTAL Agroindústria Canavieira S/A, em Bambuí (MG).

Ele mostra o início do processo, mas no canal da Petrobras no YouTube tem mais outros com a parte industrial, que eu considero mais interessante…

Estive na Petrobrás, aqui no Rio de Janeiro, ministrando uma palestra para o setor de Engenharia. Traduzindo para leitores leigos: o setor de logística. O que vi ali foi a simplicidade de uma estatal aliada à simplicidade de engenheiros, administradores e técnicos que poderiam muito bem estar de nariz empinado, mas não estão. São pessoas conscientes e, por isso mesmo, não se deixam levar pelo orgulho fantasioso. Ao mesmo tempo, testemunhei a prova de que uma estatal pode fazer o que há de melhor quando os salários de seus funcionários não estão aviltados. Não estando os salários aviltados, então, o RH faz o que é o serviço correto. Não é difícil selecionar gente para trabalhar quando o que se oferece não é o que se oferece para o serviço estatal de educação.
Ali estava parte importante da elite da mão de obra técnica do país. Um dirigente de uma empresa privada, vendo aquilo, sentiria inveja. Precisão, eficácia, inteligência, compromisso, responsabilidade e experiência. Além de tudo, orgulho. Tudo ali, no rosto de gerentes e não gerentes. Uma máquina azeitada. Uma máquina potente. Nada parecido com nossa outra máquina, a da educação – sem azeite, sem potência.
Talvez exista um problema de origem aí. Sorte de um caso, maldição de outro. Eu explico.
Foi Monteiro Lobato que insistiu que havia petróleo no Brasil, ao contrário do que dizia Vargas, que depois usurpou de Lobato o título de pai da Petrobrás. Por conta da companhia ter vindo a partir das peripécias do criador do Sítio do Pica Pau Amarelo, ela herdou o seu espírito americanizado. Eis aí a sorte. Diferentemente, talvez por nossa educação pública se originar com os jesuítas, uma companhia fundada para levar adiante o reacionarismo (afinal, a Cia de Jesus foi criada para ser a ponta de lança da Contra Reforma), o ensino estatal, principalmente o da nossa escola básica, tenha chegado ao que chegou: a antítese da Petrobrás. Baixos salários, nenhuma eficácia, pouca inteligência, irresponsabilidade, descompromisso e, enfim, inexperiência. Não de todos os professores, mas da maioria dos professores que, nos diversos estados, a serviço de políticos – os governadores –, dirigem as secretarias de educação. Funcionam como pelegos: amortecem o impacto das políticas federais e estaduais para a educação. Pois o impacto, sempre, é no sentido de arrebentar o professor em sala de aula. Os técnicos das secretarias amenizam a bomba, de modo que a desgraça seja suportável. Trabalham como se algo estivesse ocorrendo na ilha da miséria da fantasia.

Sabemos fazer educação estatal boa do modo que fazemos prospecção de petróleo de maneira exímia. Mas, não criamos uma Petrobrás da educação. Criamos o Colégio Pedro II. Mas ele não é a Petrobrás da Educação, porque não tem tentáculos para fora do Rio. Agora, o segredo é o mesmo: salário. O resto? O resto vem depois. Sem que a carreira seja atrativa economicamente, não há serviço público. Nesse sentido o Pedro II é sim a Petrobrás da educação.
Sei que alguns leitores vão escrever aqui dizendo “salário não é tudo”. Mas esses leitores não serão os funcionários da Petrobrás. Serão exatamente os da educação, que, por serem fracos ou por terem herdado a mentalidade jesuítica do missionarismo, acham que os salários devem ser baixos. São pessoas que se acostumaram a serem mal pagos e, não raro, acabam achando que, por conta da formação que possuem, até que são bem pagos. E a sociedade acha isso também. O governo acha isso. Estão todos errados, pois pensam no indivíduo cristalizado, não pensam na educação a partir da ótica de uma política educacional de médio prazo. Da ótica da política educacional o que vale é fazer com que as melhores cabeças da sociedade não procurem só a Petrobrás e o Pedro II para serem funcionários públicos, mas também procurem escolas públicas em todo o Brasil. Esse é o segredo inicial da Petrobrás e do Pedro II. Segredo que os tolos e os que se fingem de tolos insistem em negar.
Não adianta só bons concursos para professor. Por melhor que sejam os que passam nos concursos, não são eles que tomam posse ou, se tomam, não são os que ficam. Uma boa parte desiste da profissão ou, ao menos, do serviço público do magistério. Ou então, se ficam, logo são guindados para cargos administrativos. Aí, então, a pior mão de obra é que fica na sala de aula. E como ela se apresenta fraca, ela é vista pela sociedade como não merecendo salário maior, e o ciclo nada virtuoso passa a ser a regra.
Quando o professorado entra em greve, é fácil para a TV fazer uma reportagem que agrade o governador, pois com as crianças em casa os pais ficam fulos e exigem aula. Uma vez avisados que os professores estão em greve exigindo salários, esses pais respondem: “Esses professores querem mais dinheiro? Com o que sabem podem fazer o que eu preciso que façam: fiquem olhando as crianças enquanto eu saio para trabalhar”. É assim o Brasil.

A classe média e os pobres vão se acotovelando. A maior parte do brasileiros dessas “classes emergentes” não pensa como a classemédia dos anos cinqüenta, para a qual a educação era o único caminho de adquirir bens ou manter o que os pais e os casamentos abocanharam. Essa classe média (baixa) emergente vive a idéia de que no Brasil de mercado aquecido há como subir na vida sem educação. Talvez seja necessário diploma, mas educação não.
Outras estatais também passaram por arrocho salarial e por administração ruim. O Banco do Brasil é um exemplo de algo que dava orgulho e que se esfacelou. A estrada de ferro brasileira é mais um exemplo da ruína. Mas nada piorou tanto quanto as estatais da educação, as escolas públicas, que além de estatais são estaduais ou municipais. Aí reside o maior de nossos erros. Nada no Brasil é tão errado quanto o que fazemos em termos de educação básica.
O maior problema é que a direita insiste em transformar a gestão educacional em algo parecido com o que ela pensa que é a administração da Petrobrás, mas sem pagar o que a Petrobrás paga. E a esquerda política insiste na fórmula tola “educação não é mercadoria”, e, portanto, não entende que a Petrobrás, mesmo sendo estatal, entrega sim uma mercadoria: o petróleo refinado, derivados dele e serviços técnicos de várias ordens. A educação pode ser estatal, ou pública, mas o que ela entrega é, sim, produto, é sim algo que se aproxima da mercadoria – e se pudéssemos entender isso, então, começaríamos a mudar a educação. Pois o que fez a economia de mercado se mostrar melhor que a economia estatal de tipo soviético é o fato dela conseguir produzir melhor e entregar o produto. Passando por cima da esquerda retrógrada e forçando a direita (inclusive o MEC, que posa de esquerda, mas não é) a pagar o que tem de pagar para termos um professor satisfeito, poderíamos resolver muito do que temos de problema na escola pública básica.
A Petrobrás vai seguir firme e forte, pelo que vi lá hoje. Teremos petróleo para entupir as ruas de carros e ostentaremos essa multinacional em todo o mundo, prestando serviços em áreas que sequer imaginamos. Mas continuaremos a ser, no geral, um país xucro, de gente que, na maioria, não entende seus direitos, que não tem capacidade crítica, que urina na rua e que passa fome porque não consegue sair de um emprego e aprender outro ofício, dado a falta de versatilidade cerebral. Falta escola boa, escola pública. Ao fim e ao cabo, a maioria dos brasileiros vai cair nas mãos dos representantes de Jesus, ou seja, os pequenos demônios que povoam nossa terra de templos. Ninguém da Petrobrás entra em igreja caça níquel. Eles são a elite técnica do país – não são burros. Mesmo com o ensino ruim, eles se salvaram. Aliás, como o ensino vai mal, a própria Petrobrás criou agora a Universidade Petrobrás. Talvez ela logo tenha de criar, também, a Escola Básica Petrobrás. Bem, talvez possamos começar o Brasil de novo, pensando o Brasil como uma grande Petrobrás.
© Paulo Ghiraldelli Jr, filósofo, escritor e professor da UFRRJ
Retirado de: http://ghiraldelli.pro.br/2011/08/01/recriar-o-brasil-na-base-de-petrobras/
Qual a profissão mais importante para o futuro de uma nação? O engenheiro, o advogado ou o administrador? Vou decepcionar, infelizmente, os educadores, que seriam seguramente a profissão mais votada pela maior parte dos leitores. Na minha opinião, a profissão mais importante para definir uma nação é o arquiteto. Mais especificamente o arquiteto de salas de aula.
Na minha vida de estudante freqüentei vários tipos de sala de aula. A grande maioria seguia o padrão usual de um monte de cadeiras voltadas para um quadro negro e uma mesa de professor bem imponente, em cima de um tablado. As aulas eram centradas no professor, o “lócus” arquitetônico da sala de aula, e nunca no aluno. Raramente abrimos a boca para emitir nossa opinião, e a maior parte dos alunos ouve o resumo de algum livro, sem um décimo da emoção e dos argumentos do autor original, obviamente com inúmeras honrosas exceções.
Nossos alunos, na maioria, estão desmotivados, cheios das aulas. É só lhes perguntar de vezem quando. Algunsprofessores adoram ser o centro das atenções, mas muitos estão infelizes com sua posição de ator obrigado a entreter por cinqüenta minutos um bando de desatentos.
Não é por coincidência que somos uma nação facilmente controlada por políticos mentirosos e intelectuais espertos. Nossos arquitetos valorizam a autoridade, não o indivíduo. Nossas salas de aula geram alunos intelectualmente passivos, e não líderes; puxa sacos, e não colaboradores. Elas incentivam a ouvir e obedecer, a decorar, e jamais a ser criativos.
A primeira vez que percebi isto foi quando estudei administração de empresas no exterior. A sala de aula, para minha surpresa, era construída como anfiteatro, onde os alunos ficavam num plano acima do professor, não abaixo. Eram construídas em forma de ferradura ou semicírculo, de tal sorte que cada aluno conseguia olhar para os demais. O objetivo não era a transmissão de conhecimento por parte do professor, esta é a função dos livros, não das aulas.
As aulas eram para exercitar nossa capacidade de raciocínio, de convencer nossos colegas de forma clara e concisa, sem “encher lingüiça”, indo direto ao ponto. Aprendíamos a ser objetivos, a mostrar liderança, a resolver conflitos de opinião, a chegar a um comum acordo e obter ação construtiva. Tínhamos de convencer os outros da viabilidade de nossas soluções para os problemas administrativos apresentados no dia anterior. No Brasil só se fica na teoria.
No Brasil, nem sequer olhamos no rosto de nossos colegas, e quando alguém vira o pescoço para o lado é chamado à atenção. O importante no Brasil é anotar as pérolas de sabedoria.
Talvez seja por isto que tão poucos brasileiros escrevem e expõem as suas idéias. Todas as nossas reclamações são dirigidas ao governo – leia-se professor – e nunca olhamos para o lado para trocar idéias e, quem sabe, resolver os problemas sozinhos.
Se você ainda é um aluno, faça uma pequena revolução na próxima aula. Coloque as cadeirasem semicírculo. Identifiqueum problema de sua comunidade, da favela ao lado, da própria faculdade ou escola, e tente encontrar uma solução. Comece a treinar sua habilidade de criar consenso e liderança. Se o professor quiser colaborar, melhor ainda. Lembre-se de que na vida você terá de ser aprovado pelos seus colegas e futuros companheiros de trabalho, não pelos seus antigos professores.
*Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)
Discurso de Nizan Guanaes, ex-presidente do Portal IG, para os formandos da FAAP.
Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, sou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns.
Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.
Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha.
Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.
A propósito disso, lembro-me uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: “Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo”. E ela responde: “Eu também não, meu filho”.
Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.
Meu segundo conselho: pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensarem si. Afinalé difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada.
Os pobres vivem como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega viver como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassu. Que era ficção, mas hoje é realidade, na pessoa de Geraldo Bulhões, Denilma e Rosângela, sua concubina.
Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio.
Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução.
Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra.
Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse! Eu sabia! Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa.
Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansear, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.
Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios. O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta. Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.
Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama sucesso.
VOCÊ TEM QUE ENCONTRAR O QUE VOCÊ AMA
Discurso de Steve Jobs, o criador da Apple, para os formandos de Stanford
Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.
A primeira história é sobre ligar os pontos.
Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?
Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.” Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção.
Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades.
Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes.
Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava11 quilômetrospela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo.
Muito do que descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia.
Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.
Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse.
Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.
De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.
Minha segunda história é sobre amor e perda.
Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados.
Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação – o Macintosh – e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele.
O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim.
Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo.
Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida.
Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa.
Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia.
Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz.
Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.
Minha terceira história é sobre morte.
Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último”. Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.
Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo – expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.
Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de3 a6 semanas.
Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas – que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus. Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro.
Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar.
Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem. Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá.
Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.
O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.
Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brandem Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes do Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções.
Stewart e sua equipe publicaram várias edições de The Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: “Continue com fome, continue bobo”. Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.
Obrigado.