O estudante do curso de Engenharia de Controle de Automação da Pontifícia Universidade Tecnológica do Paraná (PUC-PR), Matheus Von Biveniczko Tomio, de 21 anos, desenvolveu um aparelho que emite um alarme sonoro quando uma criança se distancia dos pais por mais de dez metros.
No formato de pulseira e batizado de ‘Bebê a Bordo’, o aparelho tem três versões que funcionam por bluetooth, wireless e sistema de posicionamento global (GPS).
“A ideia consiste basicamente em um par de pulseiras que se comunicam somente entre elas. O adulto fica com uma e o bebê com a outra. Quando ambos se distanciam por mais de 10 metros, os dois aparelhos vibram e emitem um efeito sonoro, o que faz com que, no caso, a mãe ou o pai perceba que ‘esqueceu’ o filho”, explica o estudante. A bateria dura cerca de 90 horas.

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O objetivo da criação, ainda segundo Matheus, surgiu depois de vários casos que envolviam esquecimento de crianças em lugares fechados, como carros, por exemplo.
“Quando eu ainda estava no Ensino Médio e morava na Bahia, em 2007, eu sempre via na televisão e ouvia no rádio casos de esquecimento que terminava, na maioria das vezes, em tragédia. Como o estado é muito quente, muitas delas sofriam, inclusive, queimaduras. Foi então que, conversando com meu pai, tive a ideia de criar um aparelho que pudesse evitar esse tipo de coisa”, acrescenta Matheus, que explica ainda que o esquecimento pode ser percebido em qualquer situação e não somente dentro do carro, como foi a ideia inicial.
O projeto foi premiado com o 3º lugar no XX Seminário de Iniciação Científica da PUC-PR (SEMIC), realizado em 2012.
Sem verbas para patentear o produto, Matheus conta que, desde 2007, quando idealizou o projeto, espera uma oportunidade. “Das três versões, eu coloco a do bluetooth como a mais básica e mais fácil de ser viabilizada. Eu acredito muito que o projeto vai ajudar a salvar vidas. Atualmente, eu descarto a possibilidade dos casos de esquecimento acontecerem por negligência, e sim, por acúmulo de ocupações mesmo. E para isso, nada melhor que a tecnologia para ajudar”, ressalta Tomio.
O professor e coordenador do curso de Engenharia de Controle de Automação, Ricardo Alexandre Diogo, apoia a viabilização. “Se eu pudesse e tivesse recursos, até do próprio curso, ajudaria, já que acredito muito que realmente ele será usado como benefício para a sociedade em geral. Esse tipo de tecnologia ajuda a gente a sair um pouco do piloto automático do dia a dia e faz pensar mais nas coisas”, avalia.
“Eu achei muito interessante a ideia, já que é válida não somente para esquecimentos no carro. Em situações como sequestros e lugares com muita gente, como a praia e supermercados, por exemplo, também poderá ser útil”, ressalta a secretária Juscimeire Bello de Matos, de 34 anos.
Experimento inicial
Antes de chegar ao protótipo das pulseiras, o estudante conta que criou outro dispositivo que também pode ajudar a salvar vidas.
“Inicialmente desenvolvemos um dispositivo com base magnética que quando você colocasse a criança na cadeirinha ela fosse para cima do carro. Como aqueles usados pela polícia americana quando tem perseguição. Mas percebemos que o projeto tinha falhas, afinal, se um pai ou uma mãe esquece o filho, também vai esquecer o dispositivo”, conta Tomio, que afirma ainda que também pretende adaptar e viabilizar essa versão.

Via

Eduardo Cavalcanti
Autor

Engenheiro Civil de formação, empresário, e atua em diversos mercados. É aficcionado por tecnologia e está sempre em algum lugar diferente do mundo (sim, viajar está entre seus maiores hobbies). Já teve uma época em que não conseguia dormir sem assistir a um episódio do Netflix. Hoje, com o empreendedorismo pulsando em suas veias, usa praticamente todo o seu tempo livre consumindo conteúdos relacionados à cases de sucesso e ao mercado financeiro.

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